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terça-feira, 1 de março de 2011

Parnasianismo

Era uma vez um homem que buscava encontrar a beleza do mundo.
Ele viu a luz do amanhecer e pensou "isso é belo".
Então, a luz mostrou-lhe uma flor.
O homem pegou a flor e disse "como é bela esta flor".
O homem sentiu um cheiro doce e olhou ao seu redor.
Ele estava num descampado florido.
"Isso, sim, é belo".
Soltando a flor no chão, caminhou pelo descampado.
O homem olhou para trás e viu a colina onde ficava o jardim natural.
O céu azul contrastava como verde e as muitas flores.
Por um instante a cena lhe encheu os olhos e ele pensava na beleza da colina.
Um pássaro voou baixo e suas penas e seu canto dominaram a atenção do homem.
O homem passou o dia vendo, ouvindo e sentindo.
Ele, então, sentou-se à sombra de uma árvore à margem de uma estrada.
A luz do sol escapava pelas folhas e o verde se misturava ao dourado.
Ele fechou os olhos e começou a ponderar o que era o mais belo.
Não havia como decidir.
Durante anos o homem caminhou buscando uma resposta.
Ele tentou vários caminhos até a árvore.
Tentou se sentar nos galhos mais altos.
Tentou se deitar aos pés da árvore.
Passou o verão;
passou o outono;
passou o inverno;
mais uma primavera se arrastava.
A pergunta continuava sem resposta.
Era uma vez uma mulher.
Todos os dias ela via no mundo uma beleza diferente.
Um dia ela resolveu passar por uma árvore, pois, diziam que ali vivia um homem solitário.
"Por que ele é solitário?"
Ela perguntou, e, para seu espanto, descobriu a missão do homem.
"Olá, homem".
Disse ela com um sorriso estendendo-lhe a mão.
"Olá, mulher".
Disse ele contemplando o sorriso mais lindo que já vira.
Ele segurou a mão dela e levantou-se.
Ela o acompanhou durante a tarde toda.
E uma nova pergunta surgiu na mente do homem
"Como ela consegue sorrir para tudo?"
E a tarde chegou ao fim.
A mulher soltou a mão do homem, olhou em seus olhos e disse:
"A beleza está nos olhos de quem vê, na alma dos que sentem e nos corações dos que vivem".
Então ela se foi, enquanto as estrelas surgiam.
O homem sentou e olhou as estrelas.
E a noite chorou.
As estrelas se jogaram do céu.
E a noite mais linda passou.

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