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terça-feira, 22 de março de 2011

Mundo de papel.

Se o mundo fosse de papel.
E se eu soubesse desenhar...
Às vezes me faltam palavras.
Elas me fogem da mente.
por mais que me concentre
não consigo encontra-las.
Fico sem jeito, perdido.
E o que quero dizer se perde no tempo.
Porque tem coisas que palavras não dizem.
Existem bens que não se explicam.
E dores que não se pronunciam.
Por isso alguns gritam.
Por isso alguns choram.
Eu, eu desenho.
Como se cada traço fosse um sentimento
e cada esboço um desejo a se realizar.
Pois o papel aceita tudo.
Eu queria que o mundo fosse de papel.
Nele eu colocaria seu sorriso.
Seu olhar e seus cabelos.
No meu mundo de papel.
Eu tenho um avião que me leva
pra onde eu quero estar.
Neste mundo de papel
meus presentes sempre chegam
e ninguém se cansa de sorrir.
Os calendários só tem um mês.
E todo dia é dia 19 de outro mês que já passou.
Porque não tem que ter sentido.
Afinal, é um mundo de papel
e papel aceita tudo.
Aceita todas as histórias do mundo
e ainda aceita novas histórias.
Nesse mundo de papel
não preciso esperar você
aparecer na janela
eu posso desenhar uma porta
que me leva ao teu lado
um caminho que se cruza ao seu.

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