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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sem mais palavras

Abri os olhos
e vi o mundo.
Com suas cores
seus tons, seus sons
seus altos e baixos.
Ouvi o som
do seu coração.
Vi vidas vazias
casos perdidos
dor, saudade,
desperdiço,
vi o tempo escorrendo
enquanto nada se faz.
Mentes ocas
ecoando apenas
futilidade, luz e som
transmitidas de longe.
Não havia no mundo
nada de novo.
Os homens estavam
contentes com o que tinham
e deixaram de criar.
Não existem heróis...
não existem sonhos.
E os desejos
são medíocres.
Fiquei sem palavras.
tamanha morbidade
arrancou de mim
também, o desejo de criar.
Inovar é preciso...
mas, sem vontade
sem sonhos,
sem desejo...
viver não é.
Tudo tem um fluxo
um rumo, um caminho.
Se prestarmos atenção
podemos ver
para onde vai tudo
e não gostei
do que vi
não gostei do lugar
pra onde vai o mundo.
Mesmo que haja
em algum canto
alguma beleza,
alguma bondade
escondida...
Mesmo que ainda
haja esperança...
logo não haverá
ninguém capaz
de senti-la.
As lágrimas
secaram há muito.
Não possuo
nada além
de meu ponto de vista.
Meu lugar de onde
vejo reinos inteiros
se desfazerem.
Castelos de cartas
marcadas, alcançarem
o céu, e além...
Aviões de papel
caindo em rios de dinheiro...
mais papel...
menos árvores.
O mundo fica
a cada dia,
mais cinza.
Assim como
meus olhos
não refletem mais
verde, nem azul.
O homem
criou a alegria engarrafada
enlatada, encapsulada
em pedras e pó...
mas, é tudo falso
e como tudo que o homem faz
acaba rápido...
e o que resta?
o desejo de mais...
mais um pouco de tudo
menos de nós.
De que adianta
cada um possuir
a maior e melhor
e mais fantástica
maneira de ser
bilhões, e, ainda
sem um igual...
O homem tem a mente
livre e escolhe viver
dentro de uma gaiola...
O nome disso é ironia?
Somos todos parte de uma
grande piada cósmica?
Talvez a resposta
seja realmente
quarenta e dois...
talvez, seja melhor
me calar.
talvez seja melhor
seguir a vida.
sem mais palavras.

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